quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Diário de Viagem - a ida
Embarcamos às 5h da manhã num vôo com conexões em SP e no Paraguai. No Paraguai os árbitros que apitariam Brasil x Chile vieram no nosso vôo. Chegamos no início da tarde em Santiago, o que prova que é mais rápido ir parar no Chile do que em Fortaleza. A novidade é que desta vez eu exercitei o desprendimento e viajei só com uma mochila nas costas.

Viña del Mar e Valparaíso
Aproveitando as dicas de um colega de trabalho que havia ido há poucos dias para o Chile, contratamos uma van na rodoviária de Viña e fomos fazer o tradicional tour de "turista mané" que eu adoro: praias, mirantes, o Relógio das Flores que foi construído especialmente para dar as boas vindas à Copa do Mundo de Futebol de 1962, Casa de praia de Pablo Neruda, passeio no Parque Quinta Vergara com jardins bonitos, onde as árvores são identificadas por placas que informam a origem e o sossego é garantido. Almoçamos na Praia de Reñaca, ao norte de Viña del Mar. Reñaca ainda não está contaminada pela poluição e tem uma peculiaridade: toda sua orla é ocupada por prédios construídos em forma de degraus, que acompanham o desnível do morro onde estão situados. É como uma grande fila de escadas, que abrigam apartamentos. Muito lindo! Valparaíso é cidade portuária. Andamos de funicular, uma espécie de elevador da era paleolítica que permite ver a baía de Valparaíso em toda sua amplitude. Sem contar no camelódromo que faz a alegria dos turistas ávidos por aumentar a coleção de imãs de geladeira.

Mercado Central
O Mercado Central não é diferente dos mercados de outras cidades. Cheio de turistas (os brasileiros invadem!), muitos restaurantes, barraquinhas de frutas secas e castanhas caramelizadas (adoro!) e o tradicional king crab (aquele caranguejo enorme e caro que, apesar de típico, nem é encontrado com facilidade nos cardápios dos restaurantes). Aliás o que vale comer no Chile é o que vem do mar, do oceano Pacífico especificamente. Os peixes são saborosos e o salmão lá é um peixinho comum e, portanto, barato. A carne, bem, eles ainda não aprenderam a fazer e precisam pegar umas aulinhas com os hermanos argentinos. Falar que os vinhos são ótimos é desnecessário. Os preços são baixos e um jantarzinho de salmão com um bom vinho sai uma pechincha. Por falar em jantar, em um pub chileno conhecemos um garçon argentino que já tinha morado em Búzios e estava adorando poder falar português novamente. Viva a globalização.

Cerro San Cristobal
O Cerro San Cristobal é um passeio muito legal. Pode-se subir de vários jeitos: carro, bicicleta, funicular ( o tal elevador antigo) e de teleférico. No tempo de colônia ganhou nome de San Cristobal, o santo dos viajantes. Em 1908 na parte mais alta foi instalada uma imagem da Virgem Imaculada Conceição, feita em ferro fundido na França. A imagem tem 14 metros de altura e pesa 36 toneladas, é uma espécie de Cristo Redentor de Santiago. De noite fica iluminada, lindo de ver. No cerro está o Parque Metropolitano, o pulmão de Santiago. Existem áreas de pic-nic, restaurantes, mirantes, zoológico, pracinhas e piscinas (que só são limpas no verão). O sistema de teleférico, com cabines para 4 pessoas, que lembram muito o formato do kinder ovo, permite uma panorâmica de Santiago e da Cordilheira dos Andes. Melhor ainda se o dia estiver lindo, com sol e sem vento. Como nem tudo é perfeito, a vista de Santiago fica meio embaçada. A princípio, o turista acha que é uma neblina. Não, é poluição mesmo. Santiago é a terceira cidade mais poluída da América Latina. Acredite.

Brasil 3 x 0 Chile no Estádio Nacional
Ninguém acreditava que nós conseguiríamos entrar. Os ingressos já estavam esgotados antes da nossa ida para o Chile. Os preços dos cambistas dois dias antes do jogo eram astronômicos, mas como a gente não desiste fácil, fomos para a porta do estádio tentar comprar antes do jogo. A compra até foi fácil. Chegamos meia hora antes do jogo começar e logo fomos abordadas por um cambista que nos ofereceu o ingresso a 30 mil pesos (+/- 100 reais). A dificuldade foi para entrar na torcida brasileira que já estava lotada. Brasucas gritavam do lado de fora, armando o maior barraco. Eu e Lelê olhamos para o lado e vimos que ainda tinha possibilidade de entrar pelo lado da torcida chilena. Depois que a gente passou o portão fechou. Nem acreditamos. Primeira etapa vencida. O próximo passo era tentar mudar de torcida. E não foi difícil mostrar para o segurança que duas brasileiras na torcida chilena (considerando que Lelê estava com camisa do Brasil e bandeira do Fluminense enrolada no corpo) daria m*. Finalmente entramos na torcida brasileira, uma faixa mínima reservada no estádio. Mas a alegria de estar la dentro era tanta, que todo o aperto compensou. Após o final do jogo, os seguranças seguraram a torcida brasileira por mais de uma hora, para que todo o resto do estádio fosse esvaziado. Quando saímos não tinha mais taxi, e andamos uns 5km para achar um chileno que não estivesse magoado e aceitasse levar duas brasileiras para "casa" hehehe. A vantagem que Santiago é uma cidade segura e, além disso, tivemos a companhia de uns brasucas gaúchos que nos acompanharam na caminhada em busca do taxi perdido.

Estação de Valle Nevado
Bem que eu tentei ficar de pé no esqui. Paguei duas horas de aula e continuo não conseguindo me levantar sozinha. Acho que preciso de uma espécie de pacote, tipo auto escola, com 10 aulas mínimas pra conseguir me mover de forma correta. Mas, tirando os tombos que necessariamente fazem parte de qualquer cristão que resolva aprender a esquiar, o lugar é bonito e frio ( - 4 graus). Vale a pena porque fica muito perto de Santiago, são só 60 curvas até chegar lá. Considerando que nós fomos esquiar um dia depois do jogo do Brasil x Chile e que o instrutor ameaçou jogar os brasileiros do barranco, voltar viva (mesmo sem ter aprendido a esquiar) já foi lucro.

A volta
Voltamos na classe executiva de um boing 777 da Tam, que comporta 365 passageiros. Ter uma cadeira que deita de verdade, com o espaço gigante entre uma cadeira e outra (ainda mais considerando meu tamanho reduzido), receber brindes fofos, escolher a revista que quer ler, qual vinho tomar e o quer comer, etc...prova que existe um mundo melhor, mas é caríssimo. A alegria durou só 5 horas. O vôo de SP para Vix foi novamente no sistema "sardinha enlatada". Cheguei acabada com a saga de aeroporto (a volta foi muito mais demorada que a ida), mas feliz e querendo mais. E que venha a próxima. As fotos estão no lugar de sempre: clique aqui.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Estou de volta, depois de uma viagem m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a! Muitas coisas legais aconteceram nos últimos 5 dias. A gente sabe que a viagem foi boa quando tem vontade de voltar pra fazer mais coisas. Muitas emoções registradas em fotos: Viña del Mar, Valparaíso, Estação de Valle Nevado, Cerro San Cristobal, jogo Brasil x Chile no estádio Nacional, muitos vinhos bons, alfajores em cada esquina, povo educado, sem contar a volta na classe executiva do Boing 777 da Tam, o que prova que existe um mundo melhor ... mas é caríssimo. Enfim, adorei! Esta semana disponibilizarei as fotos e comentários sobre cada etapa desse luxo radioso de sensações. Beijos e boa semana.

domingo, 31 de agosto de 2008

Eu disse que voltaria a tocar no assunto quando tudo estivesse resolvido. Falei num post anterior que estava cuidando da saúde por conta de um diagnóstico assustador, resultado de uma biópsia após retirada de um nódulo do meu joelho direito. Depois de 20 exames de sangue, 03 tomografias, 01 ultrassom e 03 imuno-histoquímicas tudo foi esclarecido. O último exame foi feito num laboratório de São Paulo, referência no assunto, e deu negativo! Sexta foi minha última consulta com a hematologista e estou respirando aliviada. Como disse um amigo, "me agrada demais perceber os ganhos paralelos que obtemos das situações que nos impõe a vida". Estou levando a vida muito menos a sério do que antes. Pela manhã, enquanto estou no trânsito indo para o trabalho, faço uma listinha do que eu irei resolver naquele dia. Não quero mais resolver todas as pendências num único dia. A palavra de ordem agora é priorização. Além de estar menos estressada estou dando pesos diferente para as coisas que acontecem. Depois de um mega susto com a saúde, eu vejo que muitas coisas que eu achava importantes, não são. Algumas que eu nem prestava atenção, se tornaram prioridade. Depois do susto vou comemorar fazendo o que eu mais gosto de fazer nessa vida: colocar uma mochila nas costas e viajar, sem telefone tocando, passar aperto pra falar outra língua, perceber as diferenças culturais (algumas deliciosas, outras impactantes e curiosas), perder a noção do tempo e experimentar outros sabores. Isso é que faz a minha vida valer tanto a pena. Bjs e até a volta.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Piada interna: se sexo esporádico, sem envolvimento e nenhum carinho enchesse barriga (sem trocadilho, por favor), eu contraria um garoto de programa que me atenderia na hora que eu quero e não bagunçaria a minha agenda. Essa opinião é válida somente para minha vida, nada contra quem só curte o esporte sem envolvimento nenhum. Night: nas minhas andanças noturnas pela noite capixaba fui conhecer o Bojangles: lugar lotado, bebida quente, água só com gás e bandas fraquíssimas. A 5 Nós parece gospel, tem umas composições próprias horríveis e não comove a multidão. Mas, como tem muita gente que não se importa com a música que está tocando no ambiente, e como Vila Velha não tem muito o que fazer, o lugar lota assim mesmo. Não convencida que o lugar não compensava, voltei na semana seguinte para ouvir Tequila Brown. Miscelânea! Repertório sem identidade nenhuma. Vocalista que parece cantor de trio elétrico, mais preocupado em dançar do que em cantar. Baixista que parece ter saído do Big Beatles. Guitarrista com estilo de bandinha de axé. O único que salvava era o baterista, um dos Escaranovos (a vida tá mesmo muito dura e as pessoas precisam pagar as contas, ok). Minha cara: depois dessa, uma amiga disse que achou uma comunidade no orkut que é a minha cara: velhice precoce. Se você detesta carnaval, não curte pegação, prefere restaurante e barzinho pra tomar chopp, não suporta quem fala muito e alto, não gosta de andar com quem adora chamar atenção, grita no meio da rua e é pouco discreto, etc. Sou eu mesma. Para atingir o nirvana: to na expectativa para minha próxima viagem internacional. Chega logo feriado! Sem contar que tem show da Madonna vindo por aí. Adoro! Namastê: larguei minhas aulas de circuito na academia e voltei a praticar yoga. Uma amiga falou: "mas yoga não emagrece". Quem é que precisa de uma magra estressada, a beira de um ataque de nervos? Prefiro continuar viva, calma e apertando a tecla "fuck you" que eu reencontrei.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Conversando a gente se entende
Uma coisa que vem me incomodando de forma geral é a falta de delicadeza nas relações. Não que eu seja um primor neste sentido, ao contrário, tenho muito que melhorar na forma de falar, algumas vezes com pouca cerimônia, acabo pisando no acelerador e atropelo o outro. Sei que é importante escolher bem o que dizer e ter a capacidade de escolher a hora certa e uma forma assimilável, que o outro entenda sem se sentir ofendido. Mas, mal ou bem, com maior ou menor delicadeza, eu falo, dou retorno. Uma coisa que me angustia profundamente é quando o outro me priva de conhecer o que ele tem a dizer. Vejo como indelicadeza a falta de retorno a um telefonema, a um torpedo, a um e-mail, a uma pergunta feita pessoalmente. Nem sempre o outro está num momento bom para falar ou responder. Mas, salvo em caso de morte, não há justificativa para ignorar uma mensagem e não respondê-la. Claro que às vezes estamos cansados. Outros, além disso, não sabem dizer “não”, então evitam atender a um telefonema. Ok, se não pode ou não quer responder na hora, o faça em uma ocasião próxima, mas não deixe o outro falando sozinho. Alguns ainda confundem o “ser educado” com o “tenho interesse por você” ou “estou te dando mole”. São coisas diferentes. Não deixem de dar retorno. Não privem alguém de ouvir um “não”, isso é melhor do que a falta de resposta. É urgente reinventarmos a delicadeza e a elegância nas relações.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A saga do visto americano - parte II: o agradecimento

Fico imaginando como foi possível sair de pais super sóbrios, responsáveis, católicos e caretas, filhos insanos. Segue e-mail com a resposta de agradecimento do meu irmão mais novo para a saga descrita no post anterior: "Não sei nem como te agradecer, pelo trabalho e transtorno que te causei. Nesta ocasião lembro-me de Xerxes, imortalizado por Rodrigo Santoro no cinema, quando atravessou toda a Mesopotâmia, o Baixo Egito e as Colinas de Rarum, em uma viagem que custou a vida de metade dos seu exército, para encontrar Tototonho da Pérsia, antigo companheiro de lutas e batalhas, dentre seus incontáveis feitos, se destaca a derrubada que fizeram juntos de 182 metros da Muralha da China, na altura da cidade de Xing Ling, para simplesmente lhe dizer OBRIGADO. Faço das palavras dele as minhas: Muito Obrigado. Bjs de Lucas, o Historiador Asiático."

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A saga do visto americano
O Citibank existe para dificultar a nossa vida e a ABAV (Associação Brasileira de Agências de Viagem) existe para nos explorar. Duas pessoas da minha família resolveram tirar o visto americano. Como um mora no interior do estado e o outro mal sabe ligar o computador, me encarreguei da tarefa. Passada a burocracia inicial de entrar no site do consulado, preencher formulários, pagar taxa da entrevista e agendar entrevista, chegou a hora de pagar a taxa do visto. A taxa do visto (131 dólares) só pode ser paga no Citibank. Não existe agência do Citibank no estado. Não existe nenhum banco conveniado no estado que receba títulos do Citibank. O site do Citibank não emite o boleto para pagamento e o pagamento tem que ser feito só em dinheiro em uma agência. Daí consegui uma boa alma, que mora em Sampa e tem conta no Citibank pra fazer esse pagamento pra mim. Não resolve! A pessoa tem que ter o passaporte em mãos, a não ser que eu faça isso pela ABAV. Daí tudo fica mais fácil, não precisa de apresentar passaporte nenhum, basta pagar uma taxa exorbitante por esse serviço. Liguei para ABAV mas eles não atendem quem não é agência e não falam o valor que eles cobram por esse serviço. Na verdade cada agência, além do valor cobrado pela ABAV, adiciona mais uma taxa por ser atravessadora e cobra o que quiser por esse serviço. Isso pode variar de 140 a 180 reais por pessoa (fora o valor do visto, de 131 dólares). Ganha o consulado, ganha a ABAV, ganha a agência. Depois de toda essa saga de tentar economizar dinheiro alheio, desisti. O sistema é bruto e viciado. E o consumidor é um refém bobo disso tudo, que ainda perde tempo tentando buscar soluções mais justas.