
Muita gente tem medo de se envolver. Muitos não querem perder a liberdade ou vivem atrás de um par perfeito que não existe. O medo do envolvimento se apresenta com várias caras. Algumas pessoas são tímidas e têm dificuldade na conquista. Outras são compulsivas na conquista, sentem necessidade de se sentirem atraentes e desejadas o tempo todo. Esse comportamento pode ser motivado pela auto-estima baixa e necessidade de ter alguém elogiando a todo momento.
Você pode fugir de um relacionamento por muito tempo, pode achar que ficar cada dia com um é mais fácil, que variar é bem mais interessante. Não tem envolvimento, nem cobrança. Mas, é bem provável que alguém assim vá se deparar, em algum momento da vida, com uma espécie de deserto emocional. Aventurar-se em muitos encontros pode ser bom, mas não lhe dá profundidade. Estar só é mais confortável no sentido de não ter a mão de obra que uma relação dá. Somente quando você se relaciona com alguém, compartilhando sua vida, é que você tem acesso a muitos dos seus talentos que ficam escondidos.
Outro dia, conversando com minha terapeuta, contei que ouço muita gente comentando que quer namorar, quer “ter alguém pra chamar de seu”, mas esse discurso não é praticado. Muitas desejam isso, mas continuam na “pegação”, sendo escolhidas, no lugar de escolher. Contabiliza números como se fosse um troféu, mas continua voltando pra casa sozinha depois de uma “night”. Ou voltando acompanhada e ouvindo um “se cuida” (cuide-se) no café da manhã. O “se cuida” significa que o outro não estará mais ali para cuidar de você nas manhãs seguintes.
Resta-nos aprender a amar com toda esta liberdade?
Claro que um relacionamento não gera envolvimento e profundidade automaticamente. Tem gente que está junto há um tempão, mas só superficialmente. Não expõe os próprios medos, não se propõe a crescer com o outro, não se entrega. Ou simplesmente está junto para não estar sozinho. Vai empurrando o relacionamento até o outro achar que aquilo já devia ter acabado e colocar um ponto final naquele faz-de-conta sem sal.
A questão não é estar sozinho ou acompanhado. Mas, se envolver quando está acompanhado e não aceitar qualquer coisa só para não estar sozinho. É vivermos os nossos discursos, de forma coerente. Tenho tido pouca paciência (isso não é novidade) com quem não assume os próprios desejos e sentimentos e tem um discurso totalmente desconectado da prática.
Será que justificar que o ser humano é complexo resolve? Bem, eu prefiro achar que estamos cercados de pessoas muito mal resolvidas, inseguras e que não assumem os próprios medos.
Pego emprestado um trecho do
blog das SFPS, que coloca que os relacionamentos afetivos devem ser estritamente amorosos e nunca um fardo ou uma obrigação e, de preferência, movidos pelo fato das pessoas se amarem de verdade.
Boa semana!