domingo, 13 de maio de 2007


Muita gente tem medo de se envolver. Muitos não querem perder a liberdade ou vivem atrás de um par perfeito que não existe. O medo do envolvimento se apresenta com várias caras. Algumas pessoas são tímidas e têm dificuldade na conquista. Outras são compulsivas na conquista, sentem necessidade de se sentirem atraentes e desejadas o tempo todo. Esse comportamento pode ser motivado pela auto-estima baixa e necessidade de ter alguém elogiando a todo momento.

Você pode fugir de um relacionamento por muito tempo, pode achar que ficar cada dia com um é mais fácil, que variar é bem mais interessante. Não tem envolvimento, nem cobrança. Mas, é bem provável que alguém assim vá se deparar, em algum momento da vida, com uma espécie de deserto emocional. Aventurar-se em muitos encontros pode ser bom, mas não lhe dá profundidade. Estar só é mais confortável no sentido de não ter a mão de obra que uma relação dá. Somente quando você se relaciona com alguém, compartilhando sua vida, é que você tem acesso a muitos dos seus talentos que ficam escondidos.

Outro dia, conversando com minha terapeuta, contei que ouço muita gente comentando que quer namorar, quer “ter alguém pra chamar de seu”, mas esse discurso não é praticado. Muitas desejam isso, mas continuam na “pegação”, sendo escolhidas, no lugar de escolher. Contabiliza números como se fosse um troféu, mas continua voltando pra casa sozinha depois de uma “night”. Ou voltando acompanhada e ouvindo um “se cuida” (cuide-se) no café da manhã. O “se cuida” significa que o outro não estará mais ali para cuidar de você nas manhãs seguintes.

Resta-nos aprender a amar com toda esta liberdade?

Claro que um relacionamento não gera envolvimento e profundidade automaticamente. Tem gente que está junto há um tempão, mas só superficialmente. Não expõe os próprios medos, não se propõe a crescer com o outro, não se entrega. Ou simplesmente está junto para não estar sozinho. Vai empurrando o relacionamento até o outro achar que aquilo já devia ter acabado e colocar um ponto final naquele faz-de-conta sem sal.

A questão não é estar sozinho ou acompanhado. Mas, se envolver quando está acompanhado e não aceitar qualquer coisa só para não estar sozinho. É vivermos os nossos discursos, de forma coerente. Tenho tido pouca paciência (isso não é novidade) com quem não assume os próprios desejos e sentimentos e tem um discurso totalmente desconectado da prática.

Será que justificar que o ser humano é complexo resolve? Bem, eu prefiro achar que estamos cercados de pessoas muito mal resolvidas, inseguras e que não assumem os próprios medos.

Pego emprestado um trecho do blog das SFPS, que coloca que os relacionamentos afetivos devem ser estritamente amorosos e nunca um fardo ou uma obrigação e, de preferência, movidos pelo fato das pessoas se amarem de verdade.

Boa semana!

18 comentários:

Joe Bass disse...

Crisezinha? Ah, vem aqui, senta no colinho do tio e desabafa que passa.
Voce vem final do ano? Semana que vem eu estarei aí (no Brasil...)

Renata disse...

Bass, não to em crise não rs ... Olha o nome do blog que vc vai entender que os posts são sempre variações sobre o mesmo tema. Tenho férias em novembro e já to na lista de espera para seu city tour clássico de turista-mané hahahaha. Se quiser vir a Vitória, tem casa, comida e roupa lavada garantidos. Bjs.

Playmobil Falante disse...

Bem, é fato que Cora Coralina estava certa quando disse: "Na prática a teoria é outra." As pessoas almejam, mas não praticam os meios para se alcançarem o fim - fiquei parecendo Mauqiavel?.
A verdade é que assumir um envolvimento em um relacionamento é abrir mão de todas as outras possibilidades de relacionamentos sejam de que natureza pseudo-romântica-sexual forem. O segredo é dar-se e não ter medo da verdade. Cada um pode absolutamente tudo na vida usando da sinceridade consigo e mentalizando que o que era para ser seu já o é. Está escrito. Amor Fati.

Beijos a todas.

Terapia Coletiva disse...

Amiga Play, vc resumiu muito bem na frase: "cada um pode absolutamente tudo na vida usando da sinceridade consigo". Ah, adorei o programa de sexta. Bjs pra vc e pro 'nosso noivo' Garoto Herbalife, expert em carpaccio ;-)

Playmobil Falante disse...

O Jogo do Contente é o que há!!!

Playmobil Falante disse...

P.S: Quando eu disse Mauqiavel, eu queria dizer Maquiavel e não Gargamel, como podem pensar.

Att

PF

P.S.II: Quando eu digo PF eu quero dizer Playmobil Falante e não Prato Feito como algumas mais famintas podem pensar.

Grata.

P.S.III: E já que não consigo parar de escrever, quero saber quando inauguraremos as receitas do Livro que alguém escreveu com as receitas da Dadá, já que, supostamente, não foi ela meeeeeeeeeeeesmo(para quem a conhece) - em todo caso, e como continuo sem conseguir parar de escrever, podemos chamar nossa nova entidade que psico-cozinha(detêm dons paranormais para a culinária) Flávia/Ofélia.
Detalhes later.

Pronto, parei!

Terapia Coletiva disse...

PF, foi a filha do Jorge Amado que organizou as receitas da Dadá hahaha. E quanto à entidade que psico-cozinha, to rindo até agora. Bjss.

Playmobil Falante disse...

Na verdade além de incorporar Ofélia, ela também psico-cozinha Marta Balina, lembra dela? Lembra dela?

Terapia Coletiva disse...

"Confeitando Bolo com Flávia Balina"? Hahaha. Abriu o baú!

Playmobil Falante disse...

Ela fazia bolos legais, eu só não gostava da franja e do fato dela ser argentina...alguém sabe de que morreu Marta Balina??

Diabete, provavelmente...ou cú doce, hahahaha - não resisti

Terapia Coletiva disse...

Foi num acidente de carro, na estrada que liga o aeroporto ao centro de Buenos Aires. Viva o Google!

Playmobil Falante disse...

Tá vendo, por isso que eu tenho medo de avião!

Playmobil Falante disse...

OK, mas se não tivesse avião na estória ela não estaria voltando do aeroporto, sacou? Ai, vcs são limitadas intelectualmente!!!

terapia coletiva disse...

Gnt, mas quem foi que reclamou do avião? Fica esperta, é melhor um burro vivo que um doutor morto - de stress - hahaha. Vc tá enlouquecendo com tantos compromissos e não ta falando coisa com coisa ...rs. Espero que, com esse medo de avião, vc consiga um cruzeiro pra lua de mel. bjss.

saco preto disse...

calma galera! ela comeu torta de abacaxi.. por isso essa loucura de palavras.. hahahaha
Amiga.. que texto profundo.. putz.. apesar de escorpiana que sou.. vc conhece.. muito objetiva.. ando num periodo onde meu ascendente Aquario..toma conta de mim e vivo um impasse.. hahahahahaahahha..
Gentem adoro essas coisas

Tia Bibi disse...

Amiga irmã!!! (Como diz o Lilo)

Mais uma vez adorei o texto. Aliás, qdo se aposentar como administradora, já sabe o que poderá fazer, ser escritora.
Eu sei q usou como inspiração, de alguns trechos, os meus desejos e frustrações. Se não foi baseado em mim, tranquilo, mas me identifiquei.

Amo vc!

P.s.:Amigas SFPS estou com muitas saudades de vcs!!!

Terapia Coletiva disse...

Tia Bibi, o Lilo não me chama assim, rs. Depois te conto meu apelido familiar ;-)
Não usei ninguém como exemplo para este texto. Bjss.

Playmobil Falante disse...

Eu não faço uso de torta de abacaxi desde terça, que fique bem claro!