sábado, 6 de março de 2010

Minha mãe tem mania de me mandar tudo que ela lê de interessante nos jornais e revistas. Semana passada eu recebi uma crônica da Maria Sanz Martins, que saiu no jornal A Gazeta de algum domingo. Achei muito boa e vou compartilhar com a ala feminina que lê este blog.

Salto Alto
Dia desses, conversando com uma amiga, ouvi aquela frase antiga: Tsc, prefiro ficar sozinha que ter um namorado que não seja assim, assim, assado. Sim amiga, então esteja mesmo preparada para a primeira alternativa. Esse homem ideal, ou príncipe encantando com tudo que você queria, é pura fantasia. Poxa, não adianta ficar pensando só no que o outro pode fazer pela sua felicidade (eu + eu + eu é equação da primeira infância; relacionamento + reciprocidade é matemática da maturidade). Nossas avós certamente desejaram (mas com certeza não esperavam) que seus maridos fossem cem por cento compreensivos; dedicados, atenciosos, delicados, divertidos, sensuais e o mais bonitos, entre todos do baile. Elas já sabiam, porque foram preparadas para a fatídica realidade: casamento, ou relacionamento, envolve problemas de saúde, envelhecimento, tédio, manias, crises, problemas financeiros, problemas com crianças, com sogra e por aí afora. Mas essa nossa geração não quer, ou não se dispõe, a aceitar nada menos que a perfeição. Mulheres jovens, independentes, bem nascidas e bem criadas, que moram sozinhas, viajam o mundo, trabalham, fazem academia, massagem, ioga, terapia, são cheias de amigas, estudam francês e, de quebra, ainda arrebentam na cozinha, têm a secreta certeza de que estão por cima de carne seca; que são a última empada da padaria; ou a rainha da cocada preta – e não se dão conta de que esta postura de mulher maravilha é uma bela de uma fria. De que adianta seguir procurando um super homem que se encaixe em seus planos, se na vida real isso equivale literalmente a estar sonhando. Essa história de se achar ultra-especial, mega-espetacular é embarcar numa ego-trip para beeem longe da possibilidade de uma felicidade romântica. Eu sei, nossa geração já nasceu com o verniz do feminismo, com o desejo de ser independente e com a auto-estima super fortalecida, mas quanto mais a gente se coloca acima, mais nos tornamos críticas, exigentes e chatinhas. Como juízas olímpicas, somos mestres em deduzir pontos. Não sabe quem foi Jackson Pollack?! (menos um ponto); gosta de pagode?! (menos dois pontos); mistura uísque com guaraná? (menos quatro pontos). Insuportáveis! (é isso que somos). Ah, por que ao invés de subtrair não somamos pontos? Um para cada vez que ele nos fizer sorrir, três para cada gentileza e cinco para cada elogio a nossa inebriante beleza? É fato: o excesso de exigências deixa tudo embaçado. Ora, enquanto estamos checando atentamente os itens da lista, perdemos de vista o brilho veloz da rara purpurina do encanto. Ou até mesmo a possibilidade de perceber um Clark Kent bem na nossa frente! Como se sabe, amiga, até o super homem anda disfarçado. Paixão, amor de verdade, namoro, casamento, família, final feliz, nada disso dá em galho, ao contrário, requer paciência, doação e cuidado. Geralmente é preciso descer do salto alto emocional, abaixar a guarda, abrir o espírito e o sorriso. Aí o resto é com o destino.

3 comentários:

Anônimo disse...

Geralmente não curto a coluna da Maria Sanz, mas esse aí chamou atenção quando foi escrito.

"Como juízas olímpicas, somos mestres em deduzir pontos(...)"

rsrs

boa semana tw,

bjo
Tw

FERNANDA disse...

E verdade puraaaa.. mas eu nao to nessa mais amiga.. Nem salto eu uso mais.. hahahah.. nem preciso né! hahahahahah
Viva Amelia!

Beta disse...

Muito boa! Excesso de exigência embaça tudo. E quando nem as concessões funcionam?